Eu sou cliente de uma pizzaria na cidade onde moro, Sorocaba — interior de SP, que há mais de 15 anos tem fidelização digital. Como, se não havia fidelização digital há todo este tempo, você se pergunta. Explico:

Case Pizzaria da Dona Oscarlina

Toda vez que ligo para pedir pizza, a senhora Oscarlina, dona da pizzaria, me atende me chamando por meu nome, pois cadastrou meu número em sua “bina”:

  • “Oi seu Polis, tudo bem com você? Continua andando de bicicleta? Seu pai e mãe estão bem?”

Ela conhece minhas preferências

Ela já me pergunta se vou querer a mesma pizza da última vez e fala o sabor que pedi:

  • “A mesma da última vez? calzone de gorgonzola e bacon?”

Como ela faz isto eu não sei, mas ela lembra meu último pedido.

Ela facilita minha vida

Uma vez liguei para ela mas não tinha dinheiro em mãos. Na época, a maquininha de cartão não vinha com o motoboy.

Perguntei se ela aceitava transferência bancária. Disse que sim.

Ela passou os dados da conta dela, transferi e enviei o comprovante por e-mail. Ela confirmou.

Dali em diante, nunca mais paguei de outra forma 🙂

Todos seus colaboradores se preocupam com o cliente

Uma vez o calzone chegou com mais de uma hora de atraso. Comentei com o motoboy que não gostei do atraso para não se repetir.

1 horas depois ela me ligou se desculpando pelo atraso e me deu um “vale Calzone grátis” para a próxima vez que eu pedisse.

Esta preocupação de passar o ocorrido para ela partiu do motoboy. Ou seja, todos da pizzaria se importam com a satisfação do cliente.

Ela supera minhas expectativas

Não bastasse isso, ela capta o que falamos por telefone: dei uma sugestão que ela poderia enviar algum docinho para tira gosto após a pizza.

Durante o nosso bate papo disse que o doce que eu mais gostava era o “dadinho”.

E não é que no próximo pedido o calzone chegou com um saquinho com 5 dadinhos!?!?

🙂

E isto consegue ganhar escala?

No caso da Pizzaria da Dona Oscarlina é bem provável que não, no entanto, os princípios que Dona Oscarlina aplica em seu negócio é o gerador de fidelização.

E o que deve-se entender por digital (leia-se dígital)?

Há varias definições para digital, mas a que mais gosto é uma que um autor que gosto muito escreveu:

“Ser digital é estabelecer uma relação humana com seu cliente nos diversos canais, conhecendo-o cada vez mais profundamente a cada interação, e, fazendo isto em escala” — Willian Polis

Gostei deste autor 😉

O que NÃO é ser digital?

Antes de adentrarmos no que acredito ser o caminho para a fidelidade digital, vamos listar o que NÃO é ser digital.

  • Fazer um aplicativo
  • Usar uma solução Omni Chanel
  • Se importar com o cliente somente para fisgá-lo para uma venda e abandoná-lo
  • Usar a tática da foca e ficar dando “peixinhos” para seduzir os clientes a fazerem aquilo que você queira que eles façam. Troque o “peixinhos” por prêmios, ofertas relâmpagos, super descontos, etc.

E o que é ser digital?

  • É ter toda a empresa com foco no cliente
  • É usar toda interação com o cliente uma oportunidade de encantá-lo
  • É conhecer os sentimentos e desejos de seus clientes

E como fazê-lo?

Mudança de cultura

É necessário uma transformação de cultura, ou seja, uma cultura onde o foco seja sempre o cliente.

A tecnologia oferece a grande oportunidade de conhecer o seu cliente de forma precisa e usar deste conhecimento nos momentos precisos em que o cliente chega até você.

O importante é que toda interação com o cliente tenha do outro lado alguém/algo (como aplicativo, sistema, uma pessoa, etc.) que busque o contato humano, captando seus interesses e sentimentos.

Digital como processo e não como ferramenta

Reduzir a digitalização do seu negócio a uma ferramenta, um aplicativo ou terminal de auto atendimento é subestimar o poder da digitalização.

Assim, encarar a transformação digital como um processo requer a criação de uma estratégia que não pode ser genérica, com aplicações em ondas e toda nova onda deve ser pautada por inteligência, baseada em dados captados.

O diferencial está em oferecer uma experiência e não somente a solução

A experiência pode ser de várias formas:

  • Rapidez
  • Superar expectativas
  • Interativa

O truque da experiência está em ter o foco no problema do cliente e encontrar alternativas de solução que vá ao encontro com seus sentimentos e valores.

Planejar, Fazer, (errar), medir, aprender … e repete o ciclo

O bom e velho PDCA, porém com insumos de análise oriundos do próprio usuário, que alimenta dados a cada interação.

Inovar é conviver no mar das possibilidades e encontrar alternativas para satisfazer o cliente.

Para isto, primordial é incentivar a participação ativa dos colaboradores e manter a comunicação horizontal, de forma a instigar a todos terem foco no cliente.

É necessário errar para aprender.

A chave do sucesso para transformação digital é o foco no cliente.

E você, o que acha?

Comentários, críticas e sugestões são muito bem vindas.

Fontes

Autor: Willian Polis

Autor: Willian Polis


Líder educador na Tegra
- Soluções Digitais, apaixonado por compreender pessoas, gerar soluções através da tecnologia, resolver problemas, aprender coisas novas e dedicar-me totalmente em tudo o que faço. E-mail: polis@tegra.com.br