Porque UX para todos? Não é só o profissional de designer que cria os layouts e o próprio profissional de UX que precisam saber sobre UX?

A resposta é: “Não”. 
Todos os profissionais envolvidos em um projeto devem saber ao menos um pouco sobre UX, pois o trabalho de cada um influencia o projeto como um todo e consequentemente influencia também a experiência do usuário.

Quem são os profissionais que precisam saber sobre UX?

Criativos digitais:

Podem ser diretores de arte, designers de interface e web designers, todas essas são funções com características semelhantes, tem a necessidade de saber sobre UX.

O criativo digital é responsável por grande parte da experiência do usuário, eu diria que é quase a metade, por isso sua criação deve proporcionar ao usuário uma boa experiência, principalmente porque a interface visual é a primeira coisa que o usuário vê, pode-se considerar que é a parte palpável de um produto digital e se for agradável aos olhos e fácil de entender, o usuário já começa a ter uma boa experiência, porém essa experiência não termina por aí:

A função do designer digital é comunicar, ou seja, transmitir a informação de forma clara.

O mapa de metrô abaixo, foi criado para transmitir as informações para os usuários de forma agradável aos olhos e fácil de entender, porque na verdade a linha do metrô não é reta como mostra a imagem e sim cheia de curvas tortas, mas isso não interessa para o usuário, pois o que ele precisa saber é apenas onde ele está e para onde ele vai. O Designer simplificou essas informações, para que o usuário pudesse ter uma boa experiência.

Mapa Representativo

Mapa Real


Planners / Planejamento Digital:

Os profissionais de planejamento, tem um papel muito importante dentro de um projeto digital, pois são responsáveis pelo objetivo do projeto e necessidade do usuário.

As primeiras coisas a se pensar ao fazer um planejamento é:

– Porque que o usuário precisa desse produto ou serviço? 
– Quais as necessidades dele que serão supridas? 
Pois esses usuários só irão ter interesse no produto, se for satisfazer alguma necessidade ou vontade dele.

Objetivo do Projeto X Lucro

O objetivo final de qualquer projeto é ter lucro, pois as empresas criam os produtos para isso, porém o objetivo do projeto em si, não pode ser somente o lucro e sim atender as necessidades dos usuários, por esse motivo ao criar um planejamento de um projeto é necessário focar na necessidade do usuário e consequentemente ele irá comprar o produto e a empresa terá lucro.

É muito importante cuidar do equilíbrio “Necessidade do Usuário” X “Objetivo da Empresa” e isso não é uma tarefa muito fácil, pois quando é colocado mais peso para a necessidade do usuário, acaba tirando peso do objetivo da empresa e vice versa, mas em tese o objetivo de um planner, é fazer com que esses dois pontos sejam alcançados de forma equilibrada.

Developers / Backends e Frontends

Quem nunca se deparou com essa situação?

Um exemplo:
O usuário precisa que seja exibido apenas cinco informações na tela, mas ao fazer essa requisição o sistema começa a carregar e demora até que aparece as informações. Esse sistema lento está tomando tempo do usuário e talvez dinheiro, tudo porque o programador criou um select que busca tudo que está no banco e depois que carrega as 7000 informações, esse código é manipulado para mostrar apenas o que o usuário pediu.

A experiência desse usuário foi totalmente afetada, devido a esse problema na programação.

A velocidade de processamento é um grande diferencial, principalmente no Brasil que as conexões sem fio são muito ruins, por isso qualquer segundo economizado do usuário, melhora muito a sua experiência. 
Existem inúmeros estudos que mostram que o tempo de carregamento da página consegue aumentar consideravelmente a taxa de conversão, cada segundo de carregamento de página que pode ser reduzido, melhora a experiência do usuário a ponto de influenciá-los ainda mais.

Outro ponto, são códigos mal estruturados, cheios de gambiarras e sem tagueamento. Isso vai influenciar na acessibilidade e no SEO desse projeto.

Esses exemplos citados acima podem prejudicar a experiência do usuário, principalmente os deficientes visuais que navegam pelas páginas com leitor de tela, (Um software que lê o código para os usuários), por esse motivo é muito importante que os códigos sejam bem escritos e com metadados bem definidos.

Gestores de Conteúdo:

São os profissionais que planejam, adequam e disponibilizam todo o conteúdo de um projeto.

Conteúdo é diferente de texto e imagem, não é simplesmente criar vários textos e imagens para o projeto, vai além disso. O conteúdo é tudo aquilo que é oferecido ao usuário de informação sobre um serviço, produto ou ferramentas que o auxiliam em problemas, porém se esse conteúdo for ruim, provavelmente não vai atrair a atenção de ninguém e o projeto está fadado ao fracasso.

É importante também pensar na acessibilidade, porém essa é um pouco diferente da acessibilidade que falamos para os desenvolvedores, por exemplo: o uso de muitos termos técnicos ou palavras difíceis de entender, provavelmente estará impedindo a acessibilidade de alguns usuários mais leigos, por isso é importante adequar todo o conteúdo para o público em geral.

B.I. Business Intelligence / Pessoal de Análise de Dados e Inteligência de Mercado.

Esse profissional é responsável por mensurar todos os resultados bons e ruins depois que a aplicação estiver no ar. Ele avalia a experiência do usuário através de números, ou seja, KPIs que são indicadores de performance. Esses indicadores são definidos no começo do projeto e tem como foco garantir que os objetivos do projeto sejam alcançados e para isso acontecer o objetivo do usuário deve ser alcançado e consequentemente o objetivo da empresa que é ter lucro, também será alcançado.

Como o comportamento e experiência do usuário afetam os números desses KPIs?

Engajamento: trata-se de algo que estimula a vontade do usuário em voltar a visitar uma aplicação continuamente e o engajamento é responsável pela medição da probabilidade dessas visitas. 
Quando o objetivo é engajar o usuário em uma campanha publicitária por exemplo, é necessário medir o tempo de permanência dele na aplicação. Outro bom indicador pode ser uma área para comentários ou avaliações dos usuários.

Interesse pelo produto/conteúdo: para saber se o usuário está interessado ou não no serviço ou produto, também podemos medir o tempo de permanência na aplicação. Se o tempo de permanência for muito baixo, talvez ele não esteja interessado no que está sendo oferecido ou se houver um volume muito alto de pessoas entrando e abandonando rapidamente, talvez seja necessário rever o que está sendo oferecido. 
A taxa de abandono é medida pelo número de pessoas que entram e saem da aplicação sem entrar em nenhuma outra página, essa é considerada como taxa de rejeição.

Taxa de vendas: essa é uma das mais importantes, pois grande parte das aplicações tem o objetivo de vender e se a taxa de vendas for baixa, pode ser que aquilo que está sendo oferecido não está sendo do interesse dos usuários ou pode ser que está havendo algum problema ou dificuldade na hora de efetuar a compra, um problema de cadastro, de pagamento, informação insuficiente sobre o produto. A deficiência que está impedindo o usuário de comprar pode estar em qualquer parte e isso envolve todos os profissionais do projeto.

Entendimento do menu de navegação: a taxa de abandono também pode estar relacionado a dificuldade na navegação, o cliente pode não estar entendendo como navegar e não sai da primeira página. Uma forma de saber o que pode estar acontecendo através do log de buscas internas.

Satisfação do usuário: para medir a satisfação do usuário, podemos verificar a taxa de compartilhamento, os comentários, avaliação por estrelas e taxa de abandono.

Com esses dados o profissional de BI vai validar se o objetivo do usuário e do projeto foram alcançados e através dos números ele vai identificar onde está a deficiência do projeto para gerar uma demanda de correção.

Empreendedores digitais:

Esse é o maior interessado em lançar o produto ou serviço digital e quer ganhar dinheiro com isso.

Existem várias coisas que devem ser avaliadas e levadas em consideração para que um empreendedor possa lançar um produto no mercado, mas uma das mais importantes é o segmento de mercado, ou seja, para quem ele quer vender?

Vender para todo tipo de público no Brasil inteiro é praticamente impossível, mas é possível vender para um público, dentro de uma classe social, com uma renda, dentro de uma localização, idade, perfil social e etc, porém antes de tudo é necessário ter uma proposta de valor, ou seja, saber o que oferecer para esse segmento de mercado, algo que vá gerar valor e atender as necessidades desse público a ponto de pagarem por isso. Essa proposta de valor é na verdade a experiência completa que envolve não só o que falamos neste artigo, mas também a experiência nos serviços com a empresa e relação com o clientes.

Conclusão

Para uma boa experiência do usuário, é necessário ir além de encontrar a melhor solução do problema, é necessário considerar fatores como a acessibilidade, a usabilidade, a utilidade, a eficiência, o fácil entendimento e a satisfação do usuário ao utilizar uma aplicação e isso está atrelado a função de todos envolvidos no projeto como um todo.

“Experiência é o que torna o produto um sucesso ou fracasso.”

Núbia Araújo

Núbia Araújo

UX/UI na Tegra