Você é pai ou mãe e teve uma infância dura, com algumas privações e bastante rigidez em sua criação e quer dar para seu filho uma criação diferente, proporcionando o melhor que esteja ao seu alcance? Cuidado!

A superproteção tem gerado homens e mulheres com estrutura emocional muito fraca, cheia de melindres e que ao menor sinal de frustração, reage de várias formas, menos a forma que gera ao progresso. Em geral, manifestando crises de ansiedade, quadros depressivos e até mesmo suicídios.

Sinais de super proteção:

  • Falta de limites e de não saber dizer “Não” ao filho
  • Permitir que o filho coma excessivamente, em especial, guloseimas
  • Uso excessivo de celular, vídeo game e outros dispositivos eletrônicos
  • Os pais fazerem as atividades que deveriam ser da própria criança como vestir-se, alimentar-se cuidar de suas próprias coisas, inibindo sua autonomia e independência
  • Não haver horário para acordar, comer, dormir, fazer as tarefas da casa, estudar, etc.
  • Ceder ao choro e manha da criança
  • Contar mentiras “bem intencionadas” para poupar a criança, exemplo: “seu pai foi viajar” ao invés de dizer “seu pai foi fazer uma cirurgia”
  • Presentear em exagero

Consequências da super proteção na criança

A superproteção pode gerar, como consequência, os seguintes as aspectos na criança:

  • Dependência
  • Consumismo
  • Materialismo
  • Ansiedade
  • Medo
  • Agressividade
  • Retraimento

Além dos aspectos emocionais, impacta nas seguintes habilidades:

  • Capacidade de organização
  • Responsabilidade
  • Comprometimento
  • Respeito
  • Capacidade de aprender a aprender

Qual é a causa da super proteção?

Nenhum pai ou mãe em são consciência quer o mal de seu filho, mas muitas vezes nem percebe que são super protetores.

Para conseguir gerenciar melhor o super protecionismo é necessário identificar sua causa. Exemplos de possíveis causas de pais super protetores:

  • Sentimento de culpa ou buscando compensar algo
  • Perfeccionista: “joga” sobre o filho sua necessidade de perfeição em tudo que faz
  • Filho único: para compensar a falta de amigos ou outro irmão
  • Ausência pelo excesso de trabalho
  • Problemas orgânicos como deficiências físicas e/ou mentais
  • Separação conjugal
  • Pais que tiveram uma criação muito severa
  • Rejeição durante a gravidez
  • Só um dos pais fazer tudo em relação a criação do filho
  • Culpa por ter cometido um grande erro como uma traição, ter sido preso, etc.

Elementos da educação

Se você puxar em sua memória, não foram as facilidades que moldaram seu caráter e comportamento, pelo contrário, em geral, justamente as fases mais difíceis da vida é quando nos tornamos fortes.

Para apoiar a jornada de mudança de comportamento, deixando de ser pais super protetores, pelo próprio bem dos filhos, alguns elementos precisam ser aceitos dentro da mente:

  • frustração é mecanismo de moldagem de caráter
  • disciplina é “abridor de portas” para se alcançar o que se busca
  • Qualquer um pode ser um bom empresário/funcionário/concursado/etc, mas somente eu posso ser pai ou mãe de meu filho
  • Errar é inevitável e, inclusive, necessário. Portanto, não há problema em errar, o problema é não tentar

Rigidez e/ou Perfeição não é sinônimo de boa educação

É comum, em especial em gerações anteriores, associar a boa educação a austeridade e rigidez.

Usar da rigidez na educação tem como causa a ideia de que educação é um processo linear e organizado.

Não é.

O excesso da rigidez reprime na criança seus maiores atributos humanos, tais como:

  • curiosidade
  • exploração
  • espontaneidade
  • alegria

Muitas vezes usamos da rigidez disfarçada. Exemplos de rigidez:

  • criança não pode sujar-se para brincar ou comer
  • criança não pode desarrumar o local onde está brincando
  • não pode brincar com outras crianças para não aprender coisas erradas
  • quando repreendida, a criança não pode chorar, também conhecido como “engole o choro”
  • só pode se manifestar com a autorização dos pais
  • sempre que “erra” é acusada e depreciada com gritos e xingamentos
  • a criança gosta de aprender sobre pintura mas é obrigada a fazer línguas para atender a vontade dos pais
  • suas notas devem ser sempre altas pois é sua única obrigação

Consequências do excesso de rigidez na criação da criança

A criança educada com rigidez pode manifestar consequências permanentes no adulto que virá a ser:

  • Ela sente-se incapaz, tolhida e em imaginar que um possível erro será motivo para punição, nem tenta fazer ou aprender coisas novas.
  • Tende a ter medo de qualquer figura de autoridade como professor, policial, chefe sem ser capaz de dialogar
  • Pode ser retraído, medrosa e até agressiva

Então, qual é o caminho para educar meu filho?

Os pais que querem um filho “perfeito” precisam rever a régua que usam para medi-lo.

Tentar, errar, oscilar, ter inseguranças e dúvidas é o processo natural do desenvolvimento de qualquer ser humano.

Em oposição a rigidez e ao perfeccionismo, o caminho é o equilíbrio entre acolhimento e limites.

Quando há acolhimento e orientação firme e segura, chega-se a harmonia de aprendizado mútuo entre pais e filhos.

Diria Roberto Tranjan “só se reconhece o que conhece”. Desta forma, que você pai e mãe, que ama seu filho, possa conhecer a diferença entre super proteção e educação.

Para fechar, eu que nunca escrevi um único poema, arrisco aqui o meu primeiro:

Viver é amadurecer

Amadurecer é evoluir

Evoluir é adquirir bom conteúdo

Adquirir bom conteúdo é aprender

Aprender é viver

eis o ciclo virtuoso

Willian Polis

Referências

  • Livro Alerta aos Pais — Márcia Adriana Clarassoti Simionato / Francislene Magda da Silva
  • Curso Neuroscience for parents: How to raise amazing kids — Gregory Caremans — Brain Academy